Igreja Matriz de Santa Catarina da Serra

Dados do Património
Nome: Igreja Matriz de Santa Catarina da Serra

Na transição dos séculos XIX-XX, a Junta de Paróquia de Santa Catarina da Serra, presidida pelo Padre Francisco da Gama Reis (2.1.1893-15.9.1902), decidiu, em acta de 1.4.1900, efetuar obras de remodelação na Igreja Matriz. A 1.6.1900 verificou-se a necessidade de realizar um projecto, de modo a permitir o respectivo orçamento. Entrementes, decide-se reaproveitar a cantaria do templo e realizam-se alguns trabalhos. Solicita-se a colaboração do povo. Se em 15.5.1901 existe um esboço elaborado por locais, a 1.10.1901, o presidente da Junta de Paróquia solicita outra planta, projecto e orçamento. Desta forma, no dia 5.3.1902, em sessão extraordinária, estudaram-se os «meios mais faceis para a reedificação da Igreja Matriz, na qual, resolveram seguir a planta do architeto o excelentissimo senhor Ernesto Korrodi» (1870-1944), 
suíço, naturalizado português, leiriense. A 18.5.1902, Francisco da Gama Reis tinha, em sua posse, 623.410 réis para o início das obras, enquanto 75 mil réis estavam com Manuel das Neves, de Loureira, do Santíssimo Sacramento, e entraram na tesouraria da Junta de Paróquia de Santa Catarina da Serra a 4.6.1902. Com o falecimento do pároco, impulsionador dos trabalhos na Igreja, António dos Santos Alves, coadjutor, exerce a presidência. Este recebeu o montante do predecessor, através dos familiares, e, no dia 5.10.1902, o capital foi depositado na tesouraria da edilidade.
Os primeiros trabalhos iniciaram-se a 12.10.1902. As constantes arrematações divulgavam-se através de pregão público. O operário que oferecesse o menor valor tinha de cumprir, porém, um rigoroso conjunto de critérios, ser idóneo e ter testemunhas. António Vieira, de Pinheiria, foi o primeiro arrematante. A demolição, escavação e arrumação da cantaria deveria ser paga a 116 réis o metro cúbico. O prazo de conclusão, imposto, seria 5.5.1903. A 2.11.1902, a rocha branca, dura, com 1 decímetro de espessura e assente no baptistério foi arrematada a Francisco Vieira, de Pinheiria, em vários lanços, a 890 réis o metro quadrado de lajedo de pedra branca, a 5.400 réis «cada metro de tijolo, isto é, cada metro cúbico, posto no local da obra: a cento e vinte cada metro leniar de guarda vassouras, incluindo os tacos e pregos a seiscentos e setenta cada metro de vigamento e soalho, sachristia, incluindo os appoios». A 1.3.1903, o Padre Joaquim Ferreira Gonçalves das Neves (1903-48), natural de Ulmeiro, é presidente da Junta de Paróquia, tendo assinado a primeira acta a 15.3.1903. A 7.6.1903 coloca-se em hasta pública a arrematação da demolição das paredes da nave principal, da empena da fachada, a alvenaria das paredes laterais e a empena da nave principal. As cantarias (arcos, capitéis, pilares, pilastras) foram devidamente guardadas. Outros materiais seguiram para o adro da Igreja. O arrematante, ao qual era exigido um fiador, ou 20 mil réis, ficou a ser Francisco de Oliveira, de Vale do Pinheiro, freguesia de Arrabal. 
Este pedreiro, casado, aceitou o trabalho por 549 réis o metro cúbico. Os trabalhos principiavam quinze dias depois e terminavam dois meses mais tarde. Foi fiador José Francisco, de Cercal, pedreiro. A 5.7.1903, António Ferreira Constantino, de Pinheiria, carpinteiro, casado, é arrematante.
Durante o processo de reedificação da Igreja Matriz, a Junta de Paróquia oficiou solicitar à Câmara Municipal de Leiria o serviço braçal, imposto, da freguesia de Santa Catarina da Serra, para as obras. Por outro lado, a Fábrica da Igreja teve de vender inúmeros imóveis, para suportar as despesas. Assim, a 20.9.1903 procedeu-se à venda de vários olivais da paróquia, tal como de «muitissimas oliveiras em terrenos diversos, em beneficio das obras». A 4.6.1905, a Junta, não tendo «fonte alguma de receitas», volta a apelar ao povo, para que contribua com esmolas. A edilidade solicita ainda ao governador civil de Leiria a venda de dois depósitos artificiais de água, poços, um no limite de Vale do Sumo e outro no de Barrocaria, freguesia de Olival, concelho de Ourém.
As obras de construção, que, em alguns períodos, se confundem com as de demolição, iniciaram-se no ano de 1903. Até 3.6.1904 avançou-se bastante nos trabalhos de cantaria e alvenaria. Para além da madeira aproveitada do anterior templo, a Igreja Matriz recebeu encomendas da Mata Nacional de Leiria, em pinheiros. Em 1904, José dos Santos, de Ulmeiro, e António Vieira, de Pinheiria, já citado, dão início à edificação da capela-mor. A 21.5.1905, José Pereira Bento, de Sobral, edifica alguns portais no terreno da Igreja Matriz. Em 3.12.1905, a Junta deliberou que ao empreiteiro da obra da torre sineira não se atribuísse mais de 200 mil réis, até que se concluísse o trabalho e o mesmo fosse aprovado por Ernesto Korrodi. Na realidade, é nos anos de 1905-06 que se efectuam as últimas intervenções no edifício. A execução do «reboco do interior da Egreja e respectivo estuque em liso e moldura» coube, em auto de arrematação, a 1.4.1906, a Manuel Maria Pires Martins, estucador, natural da freguesia de Afife, concelho de Viana do Castelo. Exigia-se ainda uma «moldura com dois emblemas e um florão na capella-mor, na importancia de cento e trinta mil reis». O trabalho deveria estar concluído até 15.9.1906. No dia 6.5.1906 tratou-se de arrematar a rocha branca para o pórtico da Igreja e o calcário liós para os degraus do altar-mor. Manuel Inácio Vicente, de Chaínça, casado, canteiro, comprometeu-se a «fazer a obra de cantaria lisa sem moldura» e o aparelho do liós, respectivamente, a 14.700 réis e a 9.700$000 o metro cúbico. A 16.9.1906, a edilidade tratou de observar o trabalho de estuque e ornato da capela-mor e do corpo do templo. Depois de «examinada a obra e ouvido o parecer do senhor engenheiro Ernesto Korrodi, houve por bem a Junta approvar a obra, e louvar o senhor Pires Martins».
A 16.12.1906, a Junta de Paróquia de Santa Catarina da Serra reconhece Luís Pereira Lopes e Augusto Alves pelo facto de o primeiro ter mandando fazer o altar de Nossa Senhora da Conceição e o segundo a oferta da imagem de Santa Quitéria. No dia 3.2.1907 seguiu-se a arrematação, por edital, da colocação de forro nas naves laterais e sacristia da Igreja. Por fim, a 20.5.1911, a Junta de Freguesia, presidida pelo Dr. José Francisco Alves (9.11.1910-2.1.1914), deliberou colocar um relógio de pesos na torre, com corda para 8 dias e toques às horas, 2, e meias horas, 1. A instalação do mecanismo seria feita até ao dia 31.12.1912, sob pena de multa de 500 réis, por dia, aos arrematantes.
 
O Interior da Igreja de Santa Catarina da Serra
Em 1549, no local onde hoje se ergue a igreja matriz, existia uma outra, bastante mais pequena. O altar não tinha qualquer painel mas apenas um nicho em pedra, dourado, onde se guardava a imagem da padroeira, Santa Catarina,V.M.. Ao lado, estavam expostas as imagens do Espírito Santo e de S. Francisco. Fora da capela-mor, mas no corpo da igreja, existiam 3 altares com as imagens da Senhora do Rosário, S. Sebastião e Santo Amaro; Senhora da Purificação e S. Silvestre; e Santo António. Havia sacristia, capela da pia de baptizar, abóbada e um sino.
Esta igreja, ao longo dos anos, foi sujeita a várias alterações e a última foi no ano de 1903 ficando com a mesma capela-mor, onde actualmente se encontram expostas as imagens de Santa Catarina, S. Sebastião, Senhora do Rosário e S. José. Um pouco mais abaixo, mas dentro da mesma capela, estão dois altares laterais, em pedra, com as imagens do Espírito Santo e Senhora da Conceição e, ainda mais abaixo, fora da dita capela, estão do lado esquerdo, os altares do Coração de Jesus, Senhora das Dores e Santa Quitéria. Do lado direito, os altares do Santíssimo, com a imagem da Senhora do Rosário, Santo António e S. Miguel. Ao fundo o baptistério. 
O altar da Senhora da Conceição e a imagem da santa foram oferecidos, em 1906, pelo religioso Luís Pereira Lopes, da Pinheiria e a imagem de Santa Quitéria foi oferecida no mesmo ano, por Augusto Alves, ambos naturais desta freguesia. O altar da Senhora das Dores foi construído em 1872 no tempo do pároco Domingos José Lopes, de acordo com a legenda existente no arco.
As traseiras do altar principal foram guarnecidas com retábulo de madeira castanha, dourada, retirado da igreja do Convento de Santo António da Encosta do Castelo de Ourem e carreados para Santa Catarina da Serra por seis juntas de bois, juntando-se-lhe ainda, a mesa da sagrada Comunhão e um outro retábulo, mais pequeno, para a capela de S. Guilherme. Quando se preparavam para fazer a aplicação deste retábulo verificaram que não cabia no arco preparado para o receber, tornando-se necessário erguer um novo arco, mais avançado. Este segundo arco por ter um raio de curvatura mais estreito do que o primeiro, apresentava uma falha que, para a eliminar, foi necessário recorrer a uma montagem secundária com as falcas de dois choupos, bem curtidos, criados nas margens da ribeira dos Sete Rios.
A torre da igreja foi inicialmente adjudicada a Manuel Ferreira Filipe, do lugar da Loureira que, por falta de jeito e perícia, não concluiu a obra, tendo esta sido posteriormente adjudicada a um outro empreiteiro. A demolição das paredes da nave central e da empena da fachada, a reconstrução de alvenaria das paredes laterais e da empena da nave central, foram adjudicadas no dia 5 de Julho de 1903 a Francisco de Oliveira, vulgo Fragoso, pedreiro, de Vale de Pinheiros, freguesia do Arrabal, ao preço de 549 reis por cada metro cúbico de alvenaria das paredes laterais e empenas da nave central, constituindo fiador o paroquiano José Francisco, pedreiro, do Cercal. Ao empreiteiro António Vieira, casado e residente na Pinheiria, foram adjudicados, no mesmo dia 5 de Julho, pela quantia de 9.980 reis por cada metro cúbico de cantaria lisa de pedra em pilares, bases e aduelas de arcos, guarnição das empenas, pilastras, parapeitos de janelas, pela quantia de 11.980 reis por cada metro cúbico de cantaria de pedra branca, trabalhada em moldura, em bases de pilares e pilastras, frisos, capiteis, consolas da tribuna, janelas da fachada principal, reparação e modificação do pórtico da entrada. No ano de 1906 foram adjudicados a Manuel Pires Martins, natural da freguesia de Afife, concelho de Viana do Castelo, os trabalhos de rebocos, estuque em liso e molduras com dois emblemas e um florão, na capela-mor, pela importância de 130 mil reis, com a condição de concluir a empreitada até ao dia 31 de Agosto do dito ano. A pedra branca para o pórtico da igreja e a pedra lios para os degraus do altar - mor, foi adjudicada a Manuel Inácio Vicente, da Chaínça, por 10.900 reis, sendo lisa, e em ornato por 14.700 reis; o aparelho da pedra lios foi adjudicado por de 9.700 reis o metro cúbico. A capela-mor ficou concluída no dia 15 de Setembro de 1906.
• tecto do templo, na área da nave principal, é suportada por arcos em pedra branca, trabalhada. Teve púlpito, para as pregações, construído em pedra com suas escadas em caracol. Na retaguarda, no plano superior existe o coro. Na capela-mor é ladeada por duas sacristias.